Este é o ano da
utopia, lembrando a de Thomas More há 500 anos. Confesso que ao saber de
tal comemoração me questionei sobre o valor da utopia para uma tal referencia
de destaque. Sou também, suficientemente humilde para dizer que nunca li a obra
de Thomas More mas conheço o seu conteudo de forma simplista, talvez. Se por um
lado enalteço a invenção de tal palavra para designar um lugar inexistente mas
ideal, direi perfeito, por outro lado questiono-me da utilização de utopias
para o progresso social e individual, já que serão sempre fantasias
inalcançáveis. Nestas minhas reflexões deparei-me com uma explicação de
Eduardo Galeano assaz curiosa:
“A utopia está lá no horizonte. Me
aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o
horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para
que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.”
É
interessante porque a sua razão para fazer caminhar é a mesma que me faz não
caminhar e imobilizar-me. O sonho e a esperança ligam-se entre si para nos
impulsionar. Tenho sonhos e persigo-os. Quando os alcanço eles tornam-se uma
feliz realidade em que me deleito. Quando eles são inatingiveis então sinto-me
desistente e dá-se a transformação, tornam-se utopias, ou nós
consciencializamo-nos de que eles o eram desde sempre.Por isso mesmo, as
utopias são contemplativas, distanciam-se de qualquer movimento de esforço, de
conquista, de dedicação porque são sempre olhadas como inatingiveis, ideais mas
utópicas (perdoem a redundância).
Como dizia Sebastião da Gama “pelo sonho é que
vamos…”
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